WHEN MAN ENTERS WOMAN
by Anne Sexton
When man
enters woman,
like the surf biting the shore,
again and again,
and the woman opens her mouth in pleasure
and her teeth gleam
like the alphabet,
Logos appears milking a star,
and the man
inside of woman
ties a knot
so that they will
never again be separate
and the woman
climbs into a flower
and swallows its stem
and Logos appears
and unleashed their rivers.
This man,
this woman
with their double hunger,
have tried to reach through
the curtain of God
and briefly they have,
though God
in His perversity
unties the knot.
In Portuguese:
QUANDO O HOMEM ENTRA NA MULHER
Anne Sexton
Quando o homem
entra na mulher,
como a onda mordendo a costa,
de novo e de novo,
e a mulher abre a boca de prazer
e seus dentes brilham
como o alfabeto,
Logos aparece ordenhando uma estrela,
e o homem
dentro da mulher
ata um nó
para que assim
nunca mais estejam separados
e a mulher
trepa numa flor
e engole seu talo
e Logos aparece
e desencadeia seus rios.
Este homem,
esta mulher
com sua dupla fome,
têm procurado penetrar
a cortina de Deus
e conseguem brevemente,
embora Deus
em Sua perversidade
desate o nó.
[Tradução: Priscila Manhães e Ivan Justen]
*
“O amor é a compensação da morte.” [SCHOPENHAUER, Arthur]
“O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.” [SCHOPENHAUER, Arthur. In: O Mundo Como Vontade e Representação]
*
“Vê, pois, se jamais te deixarei escapar dos meus braços! Por isso mesmo és a minha Divindade – para sempre e irremediavelmente estás presa dentro da minha adoração.”
(...)
“O que eu desejaria na verdade é que fosses invisível para todos e como não existente – que perpetuamente um estofo informe escondesse o teu corpo, uma rígida mudez ocultasse a tua inteligência. Assim passarias no mundo como uma aparência incompreendida. E só para mim, de dentro do invólucro escuro, se revelaria a tua perfeição rutilante.”
[QUEIRÓS, Eça de. Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.]
*
SEUS OLHOS.
As duas piscinas que me convidam a afogar-me, duas plantas marítimas, dois espelhos de Narciso, as duas janelas da alma, escancaradas, transparentes, nuas, livres de grades e vidraças, despreocupadas, permitindo que o meu feixe de luz penetre na mobília, ilumine as paredes corroídas pelo tempo e pelo abandono, que os meus punhos de escritora amadora sejam os primeiros raios solares a povoar o ambiente deserto, o vento vivo a soprar no quarto abafado, com o meu hálito varrer a poeira e a ferrugem de seus móveis e com os meus beijos ressuscitar os mortos de suas covas.
As duas faces de sua moeda, dois punhados de gramado verde-cintilante, duas passagens para a Europa, os dois buracos na parede que me incitam a espionar o interior, a escancarar portas e janelas, quebrar os vidros, violar a fechadura, insurgir-me com violência para dentro do seu casulo, descobrir que a muralha de pedras guarda um castelo de areia, que o grande homem que me amarra em seus braços ainda é um pequeno menino sentado em meu colo maternal, meu corpo de volúpia e inocência, de amante e mãe, meu corpo deslocado do mundo, colado ao seu.
As duas luzes piscando na escuridão, duas partes de um todo, dois pedaços de mar em tempo nublado, as suas ondas me cobrem até a cabeça quando me tranco dentro de você, as suas águas bravas se inquietam quando tento domá-las, o seu leão ruge impetuosamente diante de meu chicote de domador, quero me infiltrar em você, quero ser levada através de suas correntezas, marcar veias e artérias, sinalizar a sua carne que agora é minha, quero ser os órgãos vitais para o seu sistema linfático e circulatório, quero ser o cerne, o centro de toda a luz que você escondia e agora exala.
As duas lanternas na selva, as duas bússolas do navegante, duas frestas discretas escondidas no fundo do cofre, o segredo que só eu posso desvendar, a minha chave é a única que abre essa fechadura, uma chave que restou cega por quase toda uma existência, uma chave dura, enferrujada, difícil, oculta e, como se estivesse escrito em algum livro apocalíptico e desenhado em bola de cristal, você a desenterrou, correu para ela com tanta voracidade que quase a engoliu, teve a fome que nunca mais pensou que pudesse sentir, queria comê-la com o olhar, queria sentir cheiro de vida, queria existir.
As duas piscinas que me convidam a afogar-me, as duas faces de sua moeda, as duas luzes piscando na escuridão, as duas lanternas na selva, os seus olhos me entorpecem como o álcool ao ébrio, os seus olhos me convidam a sentir o perfume de seu espírito e a beber de sua essência, os seus olhos me paralisam como se você vestisse a carapuça de uma Medusa, os seus olhos me atam com seus raios verdes, os seus olhos me encantam, envolvem-me o corpo como duas Cobras D'água se enrolando até o meu pescoço, quero arrancá-los como um Édipo Rei, quero abrir as suas janelas somente para mim.
*
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by Anne Sexton
When man
enters woman,
like the surf biting the shore,
again and again,
and the woman opens her mouth in pleasure
and her teeth gleam
like the alphabet,
Logos appears milking a star,
and the man
inside of woman
ties a knot
so that they will
never again be separate
and the woman
climbs into a flower
and swallows its stem
and Logos appears
and unleashed their rivers.
This man,
this woman
with their double hunger,
have tried to reach through
the curtain of God
and briefly they have,
though God
in His perversity
unties the knot.
In Portuguese:
QUANDO O HOMEM ENTRA NA MULHER
Anne Sexton
Quando o homem
entra na mulher,
como a onda mordendo a costa,
de novo e de novo,
e a mulher abre a boca de prazer
e seus dentes brilham
como o alfabeto,
Logos aparece ordenhando uma estrela,
e o homem
dentro da mulher
ata um nó
para que assim
nunca mais estejam separados
e a mulher
trepa numa flor
e engole seu talo
e Logos aparece
e desencadeia seus rios.
Este homem,
esta mulher
com sua dupla fome,
têm procurado penetrar
a cortina de Deus
e conseguem brevemente,
embora Deus
em Sua perversidade
desate o nó.
[Tradução: Priscila Manhães e Ivan Justen]
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“O amor é a compensação da morte.” [SCHOPENHAUER, Arthur]
“O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.” [SCHOPENHAUER, Arthur. In: O Mundo Como Vontade e Representação]
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“Vê, pois, se jamais te deixarei escapar dos meus braços! Por isso mesmo és a minha Divindade – para sempre e irremediavelmente estás presa dentro da minha adoração.”
(...)
“O que eu desejaria na verdade é que fosses invisível para todos e como não existente – que perpetuamente um estofo informe escondesse o teu corpo, uma rígida mudez ocultasse a tua inteligência. Assim passarias no mundo como uma aparência incompreendida. E só para mim, de dentro do invólucro escuro, se revelaria a tua perfeição rutilante.”
[QUEIRÓS, Eça de. Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.]
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SEUS OLHOS.
As duas piscinas que me convidam a afogar-me, duas plantas marítimas, dois espelhos de Narciso, as duas janelas da alma, escancaradas, transparentes, nuas, livres de grades e vidraças, despreocupadas, permitindo que o meu feixe de luz penetre na mobília, ilumine as paredes corroídas pelo tempo e pelo abandono, que os meus punhos de escritora amadora sejam os primeiros raios solares a povoar o ambiente deserto, o vento vivo a soprar no quarto abafado, com o meu hálito varrer a poeira e a ferrugem de seus móveis e com os meus beijos ressuscitar os mortos de suas covas.
As duas faces de sua moeda, dois punhados de gramado verde-cintilante, duas passagens para a Europa, os dois buracos na parede que me incitam a espionar o interior, a escancarar portas e janelas, quebrar os vidros, violar a fechadura, insurgir-me com violência para dentro do seu casulo, descobrir que a muralha de pedras guarda um castelo de areia, que o grande homem que me amarra em seus braços ainda é um pequeno menino sentado em meu colo maternal, meu corpo de volúpia e inocência, de amante e mãe, meu corpo deslocado do mundo, colado ao seu.
As duas luzes piscando na escuridão, duas partes de um todo, dois pedaços de mar em tempo nublado, as suas ondas me cobrem até a cabeça quando me tranco dentro de você, as suas águas bravas se inquietam quando tento domá-las, o seu leão ruge impetuosamente diante de meu chicote de domador, quero me infiltrar em você, quero ser levada através de suas correntezas, marcar veias e artérias, sinalizar a sua carne que agora é minha, quero ser os órgãos vitais para o seu sistema linfático e circulatório, quero ser o cerne, o centro de toda a luz que você escondia e agora exala.
As duas lanternas na selva, as duas bússolas do navegante, duas frestas discretas escondidas no fundo do cofre, o segredo que só eu posso desvendar, a minha chave é a única que abre essa fechadura, uma chave que restou cega por quase toda uma existência, uma chave dura, enferrujada, difícil, oculta e, como se estivesse escrito em algum livro apocalíptico e desenhado em bola de cristal, você a desenterrou, correu para ela com tanta voracidade que quase a engoliu, teve a fome que nunca mais pensou que pudesse sentir, queria comê-la com o olhar, queria sentir cheiro de vida, queria existir.
As duas piscinas que me convidam a afogar-me, as duas faces de sua moeda, as duas luzes piscando na escuridão, as duas lanternas na selva, os seus olhos me entorpecem como o álcool ao ébrio, os seus olhos me convidam a sentir o perfume de seu espírito e a beber de sua essência, os seus olhos me paralisam como se você vestisse a carapuça de uma Medusa, os seus olhos me atam com seus raios verdes, os seus olhos me encantam, envolvem-me o corpo como duas Cobras D'água se enrolando até o meu pescoço, quero arrancá-los como um Édipo Rei, quero abrir as suas janelas somente para mim.
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Current Mood:
content
Current Music: Ella Fitzgerald - "The Man I Love".
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